Investimentos em mídia no Brasil com gráficos, televisão, internet, OOH, revistas e produção audiovisual.

Investimentos em mídia no Brasil: R$ 13,8 bi em 2026

Os investimentos em mídia no Brasil somaram R$ 13,8 bilhões no primeiro semestre de 2026 entre as 306 agências participantes do Cenp-Meios.

O resultado reforça um mercado em transformação, no qual internet e televisão aparecem praticamente empatadas na distribuição das verbas, enquanto a mídia exterior amplia sua participação e diferentes formatos digitais ganham espaço no planejamento dos anunciantes.

O tema é especialmente relevante para empresas que atuam no ecossistema de comunicação segmentada, formado por editoras, portais, revistas, jornais, empresas de comunicação, fornecedores e outros agentes presentes também no universo representado pela ANATEC – Associação Nacional das Empresas de Comunicação Segmentada.

Reportagem do Propmark calculou uma alta de 15,8% em relação aos R$ 11,9 bilhões registrados pelo painel no primeiro semestre de 2025.

A comparação, porém, exige uma ressalva metodológica: o levantamento de 2025 reuniu 327 agências, enquanto o de 2026 conta com 306. O próprio CENP informa que a quantidade de participantes muda a cada painel e que essa variação limita comparações diretas entre os períodos.

Assim, o percentual ajuda a dimensionar a diferença entre os valores publicados, mas não deve ser interpretado isoladamente como uma taxa precisa de expansão de todo o mercado publicitário brasileiro.

Internet e televisão concentram mais de 80% dos investimentos

O dado que mais chama atenção no painel do Cenp-Meios de janeiro a junho de 2026 é o equilíbrio entre internet e televisão. A internet recebeu R$ 5,621 bilhões, equivalentes a 40,7% do total, enquanto a televisão ficou com R$ 5,608 bilhões, ou 40,6%.

A diferença entre os dois meios foi de aproximadamente R$ 13,5 milhões em um mercado superior a R$ 13 bilhões.

Dentro da televisão, a TV aberta concentrou 74,4% dos investimentos do meio e a TV por assinatura, 25,6%. No ambiente classificado pelo Cenp-Meios como internet, Display e Outros responderam por 58% da verba, Social por 24%, Vídeo por 11,6%, Busca por 6% e Áudio por 0,4%.

Esse recorte mostra que a transformação do mercado não ocorre simplesmente pela substituição de um canal por outro. O planejamento publicitário está distribuído entre diferentes ambientes, formatos e modelos de entrega de audiência.

Para empresas de comunicação, isso amplia a necessidade de apresentar aos anunciantes não apenas alcance, mas também contexto editorial, perfil de público, capacidade de segmentação e indicadores consistentes de entrega.

Mídia exterior amplia participação no mix

A mídia OOH, ou mídia exterior, alcançou R$ 1,857 bilhão no primeiro semestre e respondeu por 13,4% do painel. Em 2025, sua participação havia sido de 11,9%, dentro de uma base composta por número diferente de agências.

Apesar da impossibilidade de tratar os dois painéis como uma série perfeitamente comparável, o aumento da participação relativa do meio é um indicador relevante sobre a composição atual das verbas monitoradas.

Rádio respondeu por 3,4% dos investimentos de 2026, jornais por 1,2%, revistas por 0,3% e cinema por 0,3%.

Um aspecto metodológico é particularmente relevante para editoras e veículos especializados: segundo o CENP, os dados de jornais, revistas, televisão por assinatura e OOH incluem investimentos realizados nas demais plataformas desses próprios meios.

Portanto, a classificação não deve ser entendida simplesmente como uma separação entre mídia impressa e mídia digital. Um grupo editorial pode comercializar inventário e projetos em diferentes plataformas, ainda que sua origem esteja associada a uma publicação tradicional.

Investimentos em mídia no Brasil refletem um digital mais amplo

O avanço da publicidade digital também aparece em outros levantamentos do setor. O Digital Adspend 2026, do IAB Brasil, desenvolvido em parceria com a IBOPE e referente ao ano-base de 2025, apurou R$ 42,7 bilhões em publicidade digital, crescimento de 12,7% sobre 2024.

Segundo o estudo, vídeo representou 49% dos investimentos por formato e social media, 55% por canal.

Os R$ 42,7 bilhões do Digital Adspend não devem ser comparados diretamente aos R$ 5,6 bilhões classificados como internet no Cenp-Meios. Os levantamentos trabalham com universos, períodos e metodologias próprios.

A leitura conjunta, entretanto, ajuda a compreender como o digital se tornou uma dimensão transversal do ecossistema publicitário, presente tanto em plataformas nativas da internet quanto nas extensões digitais de veículos originalmente associados a outros meios.

Para empresas de comunicação segmentada, essa evolução cria uma questão comercial relevante: competir por publicidade digital não significa necessariamente disputar apenas inventário de grande escala.

Publicações especializadas podem estruturar suas propostas em torno de audiências qualificadas, conhecimento setorial, ambientes editoriais contextualizados e relacionamento recorrente com comunidades profissionais ou de interesse específico.

Esse papel da comunicação especializada está alinhado à própria atuação institucional da ANATEC, que reúne empresas ligadas à comunicação, editoras de portais, revistas, jornais e outros participantes do setor.

O que os dados significam para a comunicação segmentada

O cenário aumenta a pressão por propostas comerciais mais integradas. Um veículo cuja atuação começou em revista, jornal ou portal pode reunir publicidade display, newsletters, vídeo, podcasts, projetos especiais, eventos e conteúdo patrocinado dentro de uma estratégia única.

Cada formato, porém, precisa ter métricas e objetivos claramente definidos.

Também cresce a necessidade de diferenciar publicidade, branded content, patrocínio e conteúdo editorial. A integração de formatos não elimina a exigência de transparência. Para preservar a relação de confiança construída com audiências especializadas, conteúdos comerciais precisam ser identificados adequadamente e separados das decisões editoriais.

Outro desafio está na mensuração. Em um mercado no qual internet e televisão concentram mais de 80% das verbas observadas pelo Cenp-Meios, veículos especializados precisam demonstrar com precisão o valor de audiências menores, porém potencialmente mais qualificadas para determinados anunciantes.

Dados próprios sobre perfil de público, assinaturas, frequência de leitura, engajamento, geração de leads e desempenho de projetos podem contribuir para tornar essa proposta mais objetiva.

Esses indicadores, entretanto, precisam ser acompanhados de metodologia clara e não devem ser apresentados como equivalentes a métricas produzidas por institutos ou sistemas de medição com metodologias diferentes.

Diversificação de receitas ganha relevância

Os números também reforçam a importância de reduzir a dependência de uma única fonte de receita ou formato publicitário.

Para editoras e veículos especializados, a publicidade pode coexistir com assinaturas, eventos, newsletters patrocinadas, projetos de conteúdo de marca, estudos, iniciativas de geração de leads e produtos de informação.

Isso não significa que todos os modelos sejam adequados a qualquer publicação. A escolha depende do perfil da audiência, da especialização editorial, da capacidade comercial e da relação estabelecida com anunciantes.

A diversificação também exige atenção à independência editorial. Projetos comerciais precisam ter regras claras de identificação para que publicidade e conteúdo produzido por interesse jornalístico não sejam confundidos pelo público.

Quanto foi investido em mídia no primeiro semestre de 2026?

O Cenp-Meios registrou R$ 13,815 bilhões em valores faturados por veículos de comunicação a partir das informações declaradas por 306 agências participantes entre janeiro e junho de 2026. Os números e a metodologia podem ser consultados diretamente no painel oficial do CENP.

Qual meio recebeu mais investimentos?

A internet aparece com 40,7% do total e R$ 5,621 bilhões, ligeiramente acima da televisão, que registrou 40,6% e R$ 5,608 bilhões. Na prática, os dois meios ficaram praticamente empatados no levantamento.

É correto afirmar que o mercado cresceu 15,8%?

Os valores publicados para os primeiros semestres de 2025 e 2026 produzem essa diferença percentual. A comparação foi destacada pelo Propmark.

Porém, os painéis tiveram quantidades diferentes de agências participantes, fator que precisa acompanhar a interpretação do percentual.

O Cenp-Meios representa todo o investimento publicitário brasileiro?

Não. O painel consolida os investimentos informados pelas agências participantes do sistema. Seus números devem ser interpretados dentro do universo e da metodologia do levantamento, e não como uma contabilização integral de toda a publicidade realizada no país. O CENP explica o funcionamento do Cenp-Meios em sua página institucional.

O que os dados representam para veículos especializados?

Eles mostram um mercado no qual anunciantes distribuem recursos entre múltiplos canais e formatos. Para veículos especializados, isso amplia a necessidade de demonstrar conhecimento da audiência, contexto editorial, métricas consistentes e possibilidades de integração entre conteúdo, publicidade, eventos e produtos digitais.

Investimentos em mídia no Brasil exigem leitura além do volume

Os investimentos em mídia no Brasil no primeiro semestre de 2026 mostram um mercado marcado pela proximidade entre internet e televisão, pela presença relevante da mídia exterior e pela multiplicação de formatos digitais.

Mais do que observar qual meio ocupa a primeira posição, é necessário entender como as verbas estão sendo distribuídas e quais atributos os anunciantes buscam em cada ambiente.

Para empresas de comunicação segmentada, o principal impacto está na necessidade de transformar especialização editorial e conhecimento de audiência em propostas comerciais mensuráveis.

Em um ambiente de mídia cada vez mais fragmentado, escala continua relevante, mas contexto, qualificação de público, credibilidade editorial e integração de formatos também podem compor o valor oferecido aos anunciantes.